quarta-feira, 15 de julho de 2015

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O que eu estava fazendo na Ponte do Brooklyn? Havia ainda algumas horas para matar naquela tarde antes de seguir para a Time Square; uma hora de transe profundo vendo acima de mim a trama imensa daquela ponte e a sorveteria perto do rio: ''Dezembro'', pensei ''será que vai começar a nevar um pouquinho(?)'', me sentindo meio estranho após um jantar festivo na casa de Barbara Berenson na semana passada: nunca vou esquecer (de táxi com M. Berman até 45 Sutton Place Sul: uma festa literária para alguém chamado Nick, aparentemente amigo de algumas celebridades que também estavam presentes, mas que eu tampouco sabia quem eram. Barbara nos convidou para passar o natal com ela e sua família em sua casa em Montauk, na ponta mais ao leste de Long Island: uma propriedade em frente ao mar que incluía um casarão principal com três casas menores mais a casa do caseiro: chegaremos lá... mas eu ainda estava olhando distraidamente a margem oposta do rio ( o menino experimental atira uma granada em forma de falo na mãe de Cristovão Colombo, sepultando as Américas; o fator vento fazia como se fosse 15 graus negativos. Eu tinha acabado de ler no jornal uma matéria sobre uma prima de Bárbara vendendo seus diamantes em segredo na Madison Avenue para ajudar a campanha do marido ao Congresso e voltei a pensar no apartamento de Barbara e naquela festa. Como gente rica adora falar sobre empregados durante o almoço e o jantar: haviam seis serviçais servindo comida enlatada e Champagne Moet Chandon. Victor Blythe estava lá parecendo um pouco mais velho e mais gordo; ele estava conversando alto na mesa de Barbara e o rapaz inglês de Berman tentava ser charmoso em outra mesa, mesmo tendo sido passado pra trás; ele perguntou à Barbara se ela podia levá-lo à outra mesa para apresentá-lo ao autor e ela disse que não. Eu estava sentado num sofá sobre o qual haviam duas pinturas na parede: O absinto, de Degas, e A xícara de chocolate, de Renoir, pensando: ''Ela tem essas pinturas em sua casa(: é inacreditável(.) ''. Miss Berman reapareceu após algum tempo e me levou para ficar bebendo champagne com ela em volta do bar que havia sido montado; logo começou a chegar mais gente. Uma das modelos que passaram pela porta me chamou a atenção: chamava-se Diana Dodass e eu tinha certeza de tê-la visto num bar de striptease em Chelsea onde eu tinha ido sozinho há dez dias; era tão alta quanto magra, e eu estava tão entediado naquela noite que fiquei o show inteiro vendo ela roçar a bunda e a buceta no chão do palco. Miss Berman vinha bebendo cada vez mais: ----- Gosto mais de você do que você imagina, K(: com você eu nunca me sinto cem por cento segura(.) -----, ela disse. ----- Só vou passar o natal na casa de Barbara se você também for(.) -----, respondi, desviando um pouco o assunto. ----- Estou um pouco farta de viajar(: a gente vai a toda parte e é sempre a mesma coisa, a mesma pessoa abrindo as mesmas malas(: você é que está certo: encontre um canto qualquer e crie seu próprio espaço interno(: ainda assim, todo o lixo vem atrás de você: a televisão, a aldeia global e tudo o mais (.) -----, disse ela, finalmente vazia de palavras. ----- He he... ninguém viajou mais do que eu nos últimos anos(.) ----, comentei, vendo pela janela do vigésimo andar as vestes azuladas da noite costurada pelos pontos brilhantes dos edifícios que se estendiam pela sujeira e o lixo da cidade. Acrescentei: ---- O motivo pelo qual não se fazem mais coisas incomuns e surpreendentes não é elas serem particularmente impraticáveis, e sim o fato de que a maioria das pessoas não têm imaginação bastante para concebê-las (.) -----, mas meu comentário lhe pareceu ''comum'' e ela fingiu não ligar. ----- Só gosto de homens que beijam como um meio para chegar a um fim(.) ----, ela disse, passando a mão pelo meu pescoço, e concluiu: ----- Quando estou com você, eu digo: ''Eu e K somos os únicos artistas de verdade no mundo(.) '', e quando estava com John (o rapaz inglês) , eu dizia: ''Eu e você somos os únicos que entendem a alta sociedade(.) '', e quando estou sozinha, digo pra mim mesma: ''É, Berman, você é única(.) '' -----, eu ri, fingindo ver algum sentido no que ela dizia. Ela fez uns gestos provocantes com a boca pra mim. Quando ela decidiu beijar-me publicamente pela primeira vez, ali, seu ex- na outra mesa viu e disse à Victor Blythe: ----- Ela realmente merece uns beijos(.) -----, mas quando ela me empurrou para dentro de um quarto e por quinze minutos ''não me deixou sair'', Victor disse que ele ficou muito puto. Como nós ríamos dentro daquele quarto ao longo desse período de transição. Havia outros quartos com gente dentro durante aquela festa. Uma extravagância dupla de Berman nos levou por um tour no meio daquela gente esquisita: pick-me-up na colher sob alguns narizes e marijuana. ----- Bem, e então, meu cabelo está bagunçado(?) -----, Berman me perguntava a todo minuto, retocando o batom (CORTA: quando finalmente me levantei da Ponte do Brooklyn e saí meio cambaleante, eu era como um homem sob anestesia que conseguiu escapar da mesa de operações; tudo me parecia distante e sem sentido na rua, sentindo uma incrível dificuldade para coordenar as percepções que pelo cálculo reflexo habitual significariam pessoas, carros, edifícios e o tempo. Acendi um cigarro: ''Alô, Melissa, como você está(?)'', e ela me devolveria aquele sorriso enigmático e invisível do outro lado da linha. Mas eu odeio falar no telefone e não liguei. ''Isso terá lugar mais tarde'', pensei ''sob os possantes holofotes e luzes giratórias do P.43, com alguns centímetros de isolamento de madeira do bar marcando um círculo místico entre nós''. Berman foi quem me ligou e voltou a insistir que eu já tinha dinheiro suficiente para regenerar meu guarda-roupas. ---- Mas eu não tenho guarda-roupas, tenho só uma mochila e um ferro de passar (.) -----, respondi, procurando fugir do fino da moda masculina na 57 th Street e Fifth Avenue (Michael Kors, Bill Blass, Liz Claiborne, Calvin Klein , Ralph Lauren e haute couture a preço estratosféricos: ela disse que atrasaria essa noite e eu segui caminhando até os pontos de ônibus pronunciando palavrões e destilando pensamentos que mais tarde eu precisaria explicar para mim mesmo antes de dormir, pois eu vinha estudando inglês através de alguns historiadores da civilização na biblioteca pública após comprar um green-card falso na Jamaica do Queens (Freud, Toynbee, Burckhardt ou Spengler; e algumas incursões paralelas pelos livros de Adorno e Marcuse que eu já conhecia: após duas semanas dessa dieta filosófica eu me revoltei contra tanta chatice e me limitei à ler Meister Eckhart em latim: os Sermões e as Palestras de Instrução. Mesmo assim, convivendo com todas essas novaiorquinas realmente afetadas, eu vinha aprendendo alguma coisa sobre as sutilezas de ser ''chic'' de verdade; Berman para mim era a mulher que tinha mais classe entre elas (lia bem mais que as outras), mas no sentido em que o termo é usado nas ruas de Nova York: ela tinha ''fibra''. Quando as coisas não saíam como ela queria, ela se estressava um pouco mas logo voltava a encarar as coisas numa boa e dava a volta por cima; Barbara me fazia pensar mais numa espécie de Cinderella científica com a cabeça sempre erguida e uma rosa de diamante em cada um dos olhos, mas era ela quem eu queria. Atravesso a rua e entro no edifício do P.43, nas grandes pistas de dance de Ibiza dos adeptos do sexo em pó; caixas de som coladas como barris duplos de uísque, inundadas naquela hora da noite por um tépido brilho de boudoir. ''Ainda está cedo'', pensei: apenas fantasmas valsando numa doce névoa com cheiro de chicletes. Miss Berman ainda não chegou. A nova onda de frio é o único assunto entre as garotas que trabalham comigo no bar, o único bartender homem além de mim no segundo andar da boate virou taxista de uma frota do Bronx. Entre as batidas de drum´bass do teste de som ouço uma ambulância retinindo lá fora, seguida de carros de bombeiros e sirenes de polícia; a valsa eletrônica perfurada de angústia anônima. Berman ainda não está na boate: penso nela deitada em sua cama lendo um livro, ou fodendo com um lutador de boxe... acho que não: uma das bartenders comenta que a viu ali mais cedo saindo para um happy hour no Top of the Tower, em homenagem à Tom Castelli, novo editor do *** e possível gancho para o American Council of the Arts, que não é o Conselho de Artes de Nova York , mas administra verbas consideráveis e distribui dinheiro para artistas ungidos. ''Vista memorável e esplendor alcóolico-pianístico'', calculo comigo: a bartender ao meu lado, Florie, talvez soubesse de mais algum detalhe: Florie tem uma boca larga e olhos azuis, e está fresca como um gerânio ao pronunciar as palavras que me interessam: ----- Acha mesmo que ela não virá esta noite, Florie (?) ----, pergunto; ela acha que não: ---- Acha que ela vai passara noite com alguém (?) -----, insisto, e ela começa a rir, e eu também, pensando num festival de foda durante a noite toda naquele belo apartamento na 77 com Fifht Avenue. -----Você costuma chorar quando passa muito tempo sozinho no seu quarto na West 9 th, K(?) -----, Florie me pergunta inesperadamente. Ouço a chuva batendo de leve do lado de fora, com tambores rápidos e surdos, e enquanto olho nos olhos dela penso por um centésimo de segundo que vou me apaixonar por ela. ----- Nunca (.) -----, respondo. Ela ri. ''Florie'', como foi que eu nunca te percebi aqui antes. -----Pois eu chorava muito quando vivia assim, distribuindo fichas em Las Vegas (.) -----, ela diz, rodada de suor e água de rosas despetaladas nos olhos, a conversa recaindo talvez sobre calos do seu passado que não me interessam, os djs perscrutando nossa aproximação através da névoa de chicletes com olhos gelatinosos e intrometidos. O rosto dela está aberto para o meu num sorriso gélido. ''Bem'', penso ''acho que ela está meio que me desafiando, tentando me fazer mais amplo(.) ''. Os pontos de interrogação de nossos olhos mascarados comunicando-se a recíproca solidão de nossas almas, prometendo secretamente um pouco de tato, dialogando com a precipitação e o enigma. ----- Eu sei de tudo entre você e ela, K(.) -----, Florie diz, obedecendo à um rito ininteligível de feitiçaria interpessoal. Finjo rir (mas não quero) investigando meus passos na areia movediça de suas palavras. ----- Não entendi (.) ----, protestei, e ela se limitou a dizer: ----- Preciso muito do meu emprego aqui, K (: vamos voltar ao trabalho(.) -----, e sumiu para dentro da cozinha, com uma rapidez insinuante: pura penetração própria, uma eficiente furtividade adejante, como um ''até logo'' recheado de ''adeus''; algo deslizante (eu pensava) magnânimo e triste. ''Ainda vou oferecer à ela uns pegas num baseado pra ver no que dá(.)''. Mas naquele momento, a única coisa da vida real que estava fazendo falta para mim atrás daquele bar era um tiro de cocaína e uma ida ao banheiro para mijar. Florie(!), que coisa: uma espécie de charada que desmoronou como uma cachoeira no meu espírito ao longo de toda a madrugada até de manhã cedo; as detonações de telepatia de Florie e o desajeitado fervor da sua mímica ao fazer os drinks me olhando meio de lado, dispensando a representação de palavra por palavra com agudas expressões faciais irônicas e sorrisos gélidos. A rosa que florescia no meio da corrupção, e eu deveria acreditar que tudo mudaria subitamente ao pegá-la pra mim, apenas amando e sendo amado. À uma da manhã, no entanto, ao voltar do banheiro, nada havia mudado a não ser meus pensamentos, aturando Melissa debruçada no balcão do bar diante de mim, dizendo que tinha lido e relido a Doutrina da Não-Mente e de como era bom agora estar ali comigo e não estar chapada com nada. ---- Mas essa já e a sua sexta cerveja(.) ----, eu disse. O rosto dela voltado de perfil para mim, a garota era estranha em sua beleza e confusão. A porta do segundo andar foi aberta num puxão e a figura de um jovem gay alto bloqueou a entrada, logo surgindo um dos ''amigos'' de Victor Blythe acompanhado de Berman e apresentando-a ao jovem alto que parecia ser um namorado; o amigo de Victor era bem desmunhecado e abraçou Berman por trás, inofensivo. Melissa percebeu que eu estava acompanhando aquela movimentação à distância e disse: ----- Roman Polanski (uma vez) foi acusado do estupro de uma menina de treze anos que ele levou à casa de Jack Nicholson em 1977, e no dia seguinte a polícia foi à casa do ator procurar a menina porque os pais dela tinham dado queixa na delegacia (: prenderam Anjelica por porte de cocaína e algumas semanas depois Polanski foi visto no Oscar sob fiança agarrando uma atriz amiga sua por trás e dizendo (aos risos) que ia estuprá-la (.) ----, e começou a rir na minha cara. ---- Você conseguiu, estou sentindo ciúmes (.) ----, eu disse. ----- O nome dele é Jean Lambert (: eu e Berman demos uma chegada na casa dele em Bruxelas (Melissa disse) no começo do ano (: ele mora numa cobertura num edifício de dez andares em cima do banco do pai dele(: inacreditável, muita arte de Van Gogh à Picasso e criação de cavalos de raça na França e Lichtensteins´s da última fase (eu não gosto de Pop Art: eu disse à Melissa) - (Melissa retrucou: ----- A natureza morta da porta do banheiro é um charme (.) -----, mas eu não gosto, repeti. Ela continuou: ----- O quarto de Jean era atrás de uma estante de livros na biblioteca(: um apartamento secreto dentro do outro(: um quarto para esse namorado regular dele (o alto aí) e outro para os bofes de uma noite só(: depois de um jantar num pequeno bistrô na Galleria caminhamos pelas arcadas e paramos num bar gay e Jean subornou o menino mais bonito da casa e lá se foram eles para seu quarto (.) -----, Melissa disse; a porta da boate me olhando na cara (Berman) todo mundo meio que na defesa, todo mundo trabalhando mentalmente, todo mundo treinando para ser esquivo e evasivo (Florie). ----- Eu e Berman encontramos Victor na festa de Barbara e ele estava péssimo; no final da noite continuava bebendo, falando de modelos que tinha promovido em campanhas recentes e reclamando: ''----- Tenho tanto sucesso, não sei mais o que fazer(.) -----'', ele está ficando doente e doido(.) -----, eu disse para Melissa, não ouvi o que ela respondeu. Ela ria. Passei cerca de quarenta minutos fazendo drinks um atrás do outro, dividindo meu campo de visão entre Florie muda e frenética ao meu lado e Berman conversando com novas pessoas à distância. Pâmela (a modelo brasileira que Victor tinha promovido à ''renomada modelo do momento'', estava agora ao lado de Berman; essa modelo não estava com a maquiagem certa (pensei na hora: e por isso sua aparência não era das melhores; ela queria ser atriz (nos contou na festa de Barbara) e Berman por um momento achou que ela estava reclamando que Barbara era rica mas não seria tão boa para dar um impulso à sua carreira e por isso saiu e foi para a festa de um tal Keith, um jovem diretor de cinema, e provavelmente agora estava contando à Berman que a festa de Keith estava ótima e que  (ele sim!) seria bom para ela. Na verdade, eles vieram em bloco até o balcão do bar e eu pude ouvir toda a conversa. Berman dizia: ---- Até os anos setenta os diretores de cinema costumavam ser másculos, carrancudos, tipo machões (: mas agora todos eles são esses sujeitinhos tipo bicha circulando e beijocando as atrizes à francesa, mas ainda acham que são machos (.) -----, Pâmela ria, com seus brincos de brilhantes, aparentemente confusa com aqueles comentários, sem saber agora ao certo onde deveria estar: a modelo bêbada habitando os ares em busca de estúdios, nem me cumprimentou. Berman também não. Melissa tinha alguma razão, afinal. Berman era uma cinza vulcânica sendo soprada pra lá e pra cá pelos ventos do comércio de arte. ----- O fundamento econômico de se colecionar a ''última palavra'' em arte é irracional (: simplesmente não existe (: até o fim dos setenta, o preço de um novo Lichtenstein ou um novo Stella não era determinado pela demanda do mercado(: até porque, não existe exatamente um mercado; são quase sempre os mesmos compradores idiotas (: cerca de quarenta ou cinquenta cabeças querendo construir uma coleção que faça sentido ou serem rastreadores de fetiches vanguardistas (: pelo menos era assim: o novo Lichtenstein!, o novo Poons!, o novo Rauschenberg!, o novo Dine!, o novo Oldenburg!, essa restrita competição acefalada é que fazia o preço subir nas galerias, o valor de revenda sempre caía; para sustentar um holograma mercadológico desses, a mídia entrava no malabarismo frenético promovendo de forma mafiosa o ''grande espetáculo'' da compra de uma reprodução de objetos banais de... por exemplo: Johns, que então passava a ser ''colecionado publicamente'' com uma pompa inexplicável e suja(.) -----, enquanto Berman falava, a boate era invadida por pessoas com looks cada vez mais sofisticados; ela adotava progressivamente um ar de maternal benevolência à medida que ficava bêbada e atraía a atenção das suas jovens companhias, e presidia com volúpia os drinks que eu e Florie íamos fazendo e colocando em cima do bar, ou a ligeira ceia que vinha da cozinha nos fundos: sancocho dominicano; mandongo cubano; pollo picado com fritas mexicano; soufflê de sesos colombiano. Berman e Melissa bebiam e observavam com ar divertido aquelas pessoas devorando esses quitutes. ----- Uma amiga minha da faculdade disse que apareceu uma c´ritica elogiosa no Los Angeles Times às esculturas que você comprou(: o cara é da Carolina do Sul, não é (?) ------, Melissa perguntou à Berman. ----- Vou aproveitar para ir até a 57 th Street amanhã (risos), eles morderão a isca (... -----, respondeu Berman. ''Se ela me convidar, eu irei(.) '', pensei: os sábados em Nova York são divertidos naquelas lojas de antiguidades com um leve brilho dourado aqui e de marchetaria vermelho-escuro em couro ali (e galerias e mais galerias cheias de ninfetas peitudas e renascentistas através das vidraças sentadas de pernas cruzadas com cabelos pré-rafaelitas: a patética ninfeta cultural de Nova York... . ----- É preciso apanhar no ar o ''filling'' das obras de arte contemporânea, essa espécie de sensação de fim de festa, a maldita irrealidade banal de tudo(: encontrar o seu ''shtik'' (!,  (risos), aquela qualidade meio vulgar de Lindner (Melissa e eu ríamos ), mas sem aquela rigidez metálica, um pouco como Miró, mas ''sexy'' (.) -----, era incrível ouvir Berman falando: se eu fosse artista plástico, pediria licença para ir até o banheiro e se escutaria um tiro. Pouco depois, algumas daquelas pessoas disseram que queriam fumar e Berman as levou para o escritório no térreo; logo depois ela mandou alguém vir me chamar; desci e tirei um saco de marijuana da minha mochila. ----- Com quem você conseguiu tanta, K(?) -----, Melissa me perguntou. -----Minha amiga Betty Holmes, do Harlem (.) -----, respondi. Miss Berman coçou a cabeça e saiu de perto. ---- E você anda com tudo isso por aí (?) ----, perguntou Melissa novamente. ---- Não (eu disse: Eu vendo (.) ----, só Melissa ouviu: ria, como ela ria. E disse: ---- Quando Dennis Hopper estava dirigindo Junkie, a biografia de William Burroughs, Andy Wahrol disse à ele que deveria usar Mick Jagger no papel principal (risos), mas o papel principal já era do próprio Hopper (: uma briga feia (rss) -----, após fumarmos alguns baseados eu disse que era melhor eu subir para não revoltar as outras bartenders: dirigir-me para o elevador e, depois, caminhar entre as pessoas na pista de dança até o balcão do bar , foi como ziguezaguear através de todas as intrincadas passagens de um transatlântico durante uma tormenta.

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